Sofrimento, liberdade e sentido
Piper Gilles e a força de quem decide continuar

Em 2018, nos Jogos de PyeongChang, Piper Gilles dançava sobre o gelo enquanto acompanhava a luta silenciosa de sua mãe, Bonnie, contra um câncer cerebral em estágio avançado. Meses depois, Bonnie faleceu.
Pouco antes de uma nova temporada, em 2022, o inesperado voltou. Piper recebeu o diagnóstico de câncer de ovário. O futuro parecia incerto. Ela chegou a cogitar parar.
Na Logoterapia, Viktor Frankl nos recorda: a pessoa humana é o ser que decide. Livre e responsável, conserva sempre a liberdade de se posicionar diante das circunstâncias.
Com os Jogos de Milano Cortina se aproximando, algo dentro dela falou mais alto: não a ausência da dor, mas a presença de sentido. Continuar foi sua resposta diante daquilo que a vida lhe impôs.
Após anos marcados por perdas, diagnósticos e recomeços, Piper, ao lado de seu parceiro Paul Poirier, conquistou a medalha de bronze olímpica. Mais do que um resultado, um símbolo da força de resistência que a pessoa humana possui.
Nem sempre podemos escolher o que acontece conosco. Mas sempre podemos escolher como responder e assumir o protagonismo de nossa vida.
Nossa atitude é capaz de transformar dor em vitória, limites em superação e adversidade em sentido.
Há vitórias que nascem silenciosamente no coração de quem decide continuar.



